Papo de Imobiliário | Lello Imóveis

Negociar aluguel virou hábito do mercado: propostas com desconto crescem 91% no primeiro semestre de 2026

Escrito por Lello Imóveis | Aug 25, 2026, 12:00:00 PM

Levantamento mostra que o volume de negociações na locação atingiu o maior patamar do primeiro semestre desde 2016 e que os descontos concedidos também estão mais generosos. A fatia de negociações entre 11% e 20% do valor do aluguel saltou de 22% para 34% em um ano.

 

Toda proposta de aluguel carrega, embutida, uma pergunta silenciosa: existe espaço para negociar? Nossos dados acumulados ao longo dos últimos dez anos mostram que essa resposta está mudando e bem rápido. Negociar deixou de ser exceção pontual para se tornar parte estrutural da forma como locatários e proprietários fecham um contrato de locação em 2026.

 

Mais propostas sendo negociadas e em ritmo acelerado

Olhando para o ano fechado, o percentual de propostas negociadas na locação passou de 36% em 2024 para 38% em 2025. No acumulado parcial de 2026, até agosto, esse percentual já está em 41%, com quatro meses ainda por vir. 

 

Na comparação direta com o mesmo período do ano passado, o cenário é ainda mais expressivo. O volume de propostas negociadas no primeiro semestre cresceu 91% frente ao mesmo intervalo de 2025, alcançando o maior patamar para esse período desde 2016.

 

Vale destacar que o percentual negociado no acumulado deste ano já representa 95% de todo o volume negociado no ano fechado de 2025, um sinal de que 2026 deve superar com folga o resultado do ano anterior antes mesmo de dezembro chegar.

 

 

 

Não é só mais negociação, é negociação mais intensa

O crescimento não aparece apenas na quantidade de propostas negociadas, mas também na profundidade dos descontos em relação ao valor do aluguel. Na comparação do primeiro semestre, a fatia de negociações em desconto entre 11% e 20% do valor do aluguel saltou de 22% em 2025 para 34% em 2026, um avanço de 12 pontos percentuais. A faixa de descontos ainda maiores, entre 21% e 30%, também cresceu, de 4% para 7% no mesmo comparativo.

 

Olhando para o ano fechado, o mesmo movimento se confirma. A faixa de 11% a 20% avançou 7 pontos percentuais em relação a 2025, mesmo considerando apenas o resultado parcial de 2026. Em outras palavras, quando a negociação acontece, ela tende a ser mais generosa do que era há um ou dois anos.

 

O residencial negocia mais forte do que o comercial

Um recorte especialmente revelador aparece quando se compara o comportamento de imóveis residenciais e não residenciais. No segmento residencial, a fatia de negociações mais discretas, entre 1% e 10% do valor do aluguel, caiu de 75% em 2024 para 69% em 2025 e para 59% no acumulado de 2026. Em contrapartida, a faixa de 11% a 20% saltou de 22% para 25% e agora para 34%, enquanto a faixa de 21% a 30% foi de 2% para 6% e 7% no mesmo intervalo.

 

Já no segmento não residencial, o comportamento é bem mais estável. A faixa de 1% a 10% se manteve entre 55% e 57% nos três anos e as demais faixas oscilaram pouco. Isso sugere que o movimento de negociações mais intensas está concentrado, principalmente, no mercado residencial, o segmento mais sensível a mudanças no bolso das famílias e no equilíbrio entre oferta e procura de imóveis para morar.

 

O que explica esse movimento

Esse cenário conversa diretamente com o momento do mercado imobiliário residencial. Com o custo de vida pressionando o orçamento das famílias e uma oferta de imóveis para locação mais ampla em diversas regiões, o poder de negociação tende a se deslocar para quem busca alugar, especialmente quando o objetivo do proprietário é evitar a vacância prolongada do imóvel. Ao mesmo tempo, negociar não significa abrir mão de segurança, significa ajustar as condições para que o contrato realmente aconteça, de forma justa para as duas partes.

 

Acompanhar de perto esse tipo de movimento é parte do papel de intermediar essa jornada com equilíbrio. Negociar bem não é sobre empurrar um número para baixo a qualquer custo, é sobre entender o momento de cada proprietário e de cada locatário e ajudar os dois lados a encontrarem um ponto de encontro justo. É esse cuidado que transforma uma negociação em um contrato que dura e não apenas em um desconto pontual.

 

Com o segundo semestre ainda por vir, os números de 2026 já indicam uma tendência clara. Negociar aluguel deixou de ser um movimento isolado para se tornar parte esperada da jornada de quem busca um novo lar.